quinta-feira, 31 de julho de 2008


Amanhã não mais haverá poesia. Proibir-me-ão o sorriso e as lágrimas. A carcereira roubou-me Pessoa. Apresentou-me Linhares e uns complexos que secretavam. Queria eu poder fazê-lo. Despacharia logo o coração pra uma galáxia distante. Reduzido à vala comum dos desvalidos, esquálido. Assim me sinto. Tenho um desmesurado ego que não cabe nesta cela. Perco o dia a sensacionalizar sua figura. Ganhei a noite e algumas olheiras. Espero que receba a carta que te envio desta vez. Das oito outras, só obtive resposta em uma. Ainda guardo a que me escrevera com tanto carinho. Palavras bonitas, letras em vermelho. Leio toda noite antes de deitar. É o que me tem motivado a viver. Tenho estado num estágio sócio-psicótico de loucura avançada. Por mais que eu tente coexistir de forma aprazível, tudo é algo que me consome. Era penoso acreditar que o "i" desenhado naquele coração não era o meu. Alguns me criticam por ser tão introspectivo. Talvez eu não seja intelectual o suficiente pra filosofar, citar Platão, Aristóteles, debater acerca do martírio de Tiradentes ou escrever um drama tão lastimoso quanto o de Heathcliff e Catherine. Mas é que já me falta siso. Fruto de uma geração auto-intitulada pós-modernista líquida, sou auto-destrutivo. É importante acostumar-se a conviver com pungências alheias. Só quero que entenda que sou apenas eu. Minha prisão foi proposital, tenho tentado fugir. Nada acontece em especial. Tudo, tudo me é previsível. Castelos e castelos. Espero um dia construí-los à base de tijolos, assim...compacto. Talvez um dia eu acabe esse monólogo. Tenho de vender minha bengala. Quero uma córnea, preciso de um transplante. Tudo o que agora me resta é sentar e esperar a hora de tocar minha harpa ao lado de São Pedro. Mas não se esqueça da bomba. Da bomba de sangue no meu peito. E nunca se esqueça de quanto a amo. Deixe o futuro pra nós. Caso eu sobreviva esse presente de coadjuvante.

domingo, 27 de julho de 2008

Frívolo

Com o que nessa vida vou eu me importar
Se nem um beco tenho pra olhar?

Ao menos ainda ouço o eco das paredes.