Acordei. Infelizmente acordei. Revirei, virei de ponta cabeça, de bruços, de lado, sem travesseiro, com travesseiro, mordi travesseiro, contei carneirinho, tomei chá de camomila. É, apelei. Mas nada suficientemente capaz de me trazer de volta o sono. A verdade é que acordei de um daqueles sonhos que dariam ótimo assunto de teatro, de filme, de poesia, com direito a eu-lírico, a ela-lírico e a nós-líricos a aproveitarmos o lirismo das horas do onírico. E todo esse blá blá blá poético de quinta categoria é só pra dizer que são momentos como esses que me fazem desejar um dia de 48 horas. Daí eu poderia dormir 40 delas – aproveitar o sonho, obviamente – e ficar acordado as outras 8 pra resolver algumas pendências estudantis ou dar um pulo na universidade (e sonhar) vez e outra. É que o mundo dos sonhos me pareceu algo tão mágico essa noite que agora eu só quero sonhar e sonhar e viver sonhando. E foi este justamente o resumo do meu dia: sonhar. Entrou hora, saiu hora, e aquilo não me saiu da cabeça um segundo sequer, tamanha a sua magnitude e o seu impacto causado neste pobre cidadão bobo que vos fala. Agora, neste exato momento em que escrevo, já é noite e a hora de dormir se aproxima. No entanto, outros pensamentos me surgem e desmoronam toda essa minha atração pelo onírico. Afinal, de que valem os sonhos se eu tenho toda uma realidade para fazê-los acontecerem? Eu tenho um bom motivo pra acordar.