Me matei!
Mais fácil assim é assassinar o português,
Língua de que sou freguês
Tudo só porque não sei javanês
Se o soubesse, abandoná-lo-ia de uma vez.
Um pouco de modernismo pra vocês
Aqui jaz um romântico, ou talvez...
dois ou três.
E por que não seis ?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Confusões de Narciso - I

Me chamo Narciso Aahbran De Souza . Meu avô por parte de pai era da Tessália, região montanhosa no norte da Grécia. Veio para o Brasil aos dezoito anos devido a uma "imperdível" promessa de emprego em uma indústria de São Paulo, que não lembro o nome agora. Só sei que não deve existir mais. Foi aqui que ele conheceu a minha avó, típica paulistana do interior. Meu pai, o senhor Lucas Aahbran, é dono de um pequeno supermercado no Rio de Janeiro, onde nasci. É um profundo admirador da cultura grega. Acreditava inclusive que deuses, nomes, datas, tudo isso tinha um significado no desenrolar da vida de uma pessoa. Daí eu ter sido batizado de Narciso. Devo advertir-lhes do lapso do papai. De "auto-admirador", só o nome. Devo dizer-lhes também que sou auto-destrutivo, tenho uma baixa auto-estima e vivo em depressão constante, vitalícia, que seja. A timidez é algo que também me persegue. Tenho vinte e três anos e ainda não sei me relacionar bem com as mulheres. Posso dizer seguramente que até os dezessete também não tinha amigos, mas a faculdade me fez superar o pânico de semi-conhecidos, porém isso foi só com os garotos. Tenho uma dificuldade enorme de desenvolver uma conversa agradável e interessante com uma garota. Não sei o que me ocorre no momento em que estou só com alguma. Eu literalmente tremo, o suor escorre pelas mãos e logo aquele silêncio mortal toma conta do ambiente. Hora e outra sempre aparece alguma interessada por mim, mas minha incrível capacidade repusilva de mandá-las embora, ainda que tacitamente, sempre se encarrega de seu ofício. E como o faz bem! Eu até tento não demonstrar, ser natural, mas não adianta... Mês passado, comecei a me interessar por uma colega de trabalho, lá na empresa. Sequer a conhecia. Era a recepcionista. Aparentava ser uma boa pessoa, simpática, além de muito bonita. Sua maneira sensível de falar a quem a solicitava algo me encantava profundamente. Passei a olhar pra ela, ao que ela, em resposta, passou a me olhar também. Às vezes a gente se encontrava em algum canto da repartição, mas eu nunca tinha sequer coragem de dizer um "oi!". E ficamos nessa troca de olhares por um bom tempo. Até o dia em que ela tomou a atitude que supostamente deveria ser a de um homem: "Ando tão cansada. O trabalho está me matando!". Em menos de cinco minutos já sabia meu nome, idade, endereço...tudo o que alguém supostamente interessado por outro alguém deve saber, isso no pensamento de um tímido. Eu respondia a tudo e rebatia a pergunta, num processo mecânico que me enlouquecia. Minhas mãos pingavam, deve ter percebido. Ela se calou. E aquele silêncio mortal, que deixa qualquer tímido agoniado, pairava no ar. Sinceramente, não via a hora de sair dali, correr para fora, me esconder. Eis que tive a magnífica ideia de perguntar algo. "E então, onde você trabalha?". Ela retaliou com um riso de canto de boca, apertou minha bochecha, a direita, e saiu.
Eu não sabia onde colocar minha cara. Passava por ela cabisbaixo todos os dias. Com tantas coisas pra perguntar, tinha de ser logo aquilo? Put* que par**! E ela ainda estava fardada, com o brasão da empresa na blusa. Semana passada ela já não estava mais lá. Soube que havia passado em um concurso do Banco Do Brasil e pediu demissão. Isso não foi o suficiente pra me fazer esquecer o ocorrido. Sou o mesmo panaca de sempre, com alguns amigos, algumas cervejas no final de semana e nenhuma namorada! Triste Fim De Narciso Aahbran.
Eu não sabia onde colocar minha cara. Passava por ela cabisbaixo todos os dias. Com tantas coisas pra perguntar, tinha de ser logo aquilo? Put* que par**! E ela ainda estava fardada, com o brasão da empresa na blusa. Semana passada ela já não estava mais lá. Soube que havia passado em um concurso do Banco Do Brasil e pediu demissão. Isso não foi o suficiente pra me fazer esquecer o ocorrido. Sou o mesmo panaca de sempre, com alguns amigos, algumas cervejas no final de semana e nenhuma namorada! Triste Fim De Narciso Aahbran.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Vamos fazer um filme ?

Existe um recurso muito utilizado em alguns filmes que consiste em relativa paralisação da cena atual e cumina em um retorno ao passado para posterior apresentação de fatos que outrora ocorreram.
Por vezes imagino como seria se tal efeito fosse utilizado em vida real. Seria interessante ter o "poder" de tentar reparar um possível erro ou otimizar um suposto triunfo. Quantas palavras seriam mudadas, quantas rotas seriam evitadas, quantas companhias haveriam de ter sido cortadas no momento de um "oi, qual o seu nome?"!
"Você não pode brincar de Deus!"; já dizia o pai do Evan, de Efeito Borboleta, que se baseia em uma teoria que supõe que o curso natural das coisas pode naturalmente ser influenciado pelo simples batimento das asas de uma borboleta. É a teoria do caos, nome preferido pelos físicos. Quem nunca parou para pensar que os caixas nos supermercados só travam quando estamos na fila ? Ou que a fila só pára quando estamos atrasados ? Ou quem nunca questionou o fato de nada na vida dar certo ?( com o perdão do exagero) Há até quem questione a existência de vida. Seria legal voltar ao passado com a consciência do futuro. Às vezes conhecemos pessoas que as julgamos únicas e não nos damos conta de outras pessoas que estão a nossa volta e que também podem ser únicas. Damos atenção a quem supostamente merece e não damos ou pouco damos a quem pouco conhecemos, por simples capricho do momento. "Se eu estou bem, não importa o futuro." Desconhecemos a hipótese de um dia o momento acabar. E muitas vezes isso é mais rápido do que se espera. As pessoas, outrora importantes, desaparecem, enquanto as outras, supostamente menos importantes, são as que mais aparecem e ainda dizem: "no semestre que vem, vou procurar ser mais presente." É feliz e triste. Feliz por saber que os erros foram reparados e , hoje, quem supostamente merecia menos é quem mais merecia. Triste por admitir que erramos ao subestimar a capacidade das pessoas de irem embora.
Quão complicada seria essa vida se tudo fosse como a gente queria. Não se pode brincar de Deus. Mas se pode fazer de tudo, de aprazível ou de desconfortante, um interessante filme. Ou dois filmes. Cômico, trama, terror. Não importam o nível de aceitação e as críticas. Nossa plateia seremos apenas eu e vocês...
...e viveremos em câmera lenta o grito da liberdade ao cinema parado no tempo.
"Você não pode brincar de Deus!"; já dizia o pai do Evan, de Efeito Borboleta, que se baseia em uma teoria que supõe que o curso natural das coisas pode naturalmente ser influenciado pelo simples batimento das asas de uma borboleta. É a teoria do caos, nome preferido pelos físicos. Quem nunca parou para pensar que os caixas nos supermercados só travam quando estamos na fila ? Ou que a fila só pára quando estamos atrasados ? Ou quem nunca questionou o fato de nada na vida dar certo ?( com o perdão do exagero) Há até quem questione a existência de vida. Seria legal voltar ao passado com a consciência do futuro. Às vezes conhecemos pessoas que as julgamos únicas e não nos damos conta de outras pessoas que estão a nossa volta e que também podem ser únicas. Damos atenção a quem supostamente merece e não damos ou pouco damos a quem pouco conhecemos, por simples capricho do momento. "Se eu estou bem, não importa o futuro." Desconhecemos a hipótese de um dia o momento acabar. E muitas vezes isso é mais rápido do que se espera. As pessoas, outrora importantes, desaparecem, enquanto as outras, supostamente menos importantes, são as que mais aparecem e ainda dizem: "no semestre que vem, vou procurar ser mais presente." É feliz e triste. Feliz por saber que os erros foram reparados e , hoje, quem supostamente merecia menos é quem mais merecia. Triste por admitir que erramos ao subestimar a capacidade das pessoas de irem embora.
Quão complicada seria essa vida se tudo fosse como a gente queria. Não se pode brincar de Deus. Mas se pode fazer de tudo, de aprazível ou de desconfortante, um interessante filme. Ou dois filmes. Cômico, trama, terror. Não importam o nível de aceitação e as críticas. Nossa plateia seremos apenas eu e vocês...
...e viveremos em câmera lenta o grito da liberdade ao cinema parado no tempo.
sábado, 11 de abril de 2009
Enquanto houver plateia...

Não confio em pessoas felizes e que se explicam muito. Essas, por si só, são as de menor pureza e sinceridade e que têm sempre algo a esconder. Certo dia, uma amiga disse-me que somos idiotas quando erramos. Não que isso seja algo intrínseco à natureza humana, mas às vezes o somos por saber que teremos sempre alguém conosco pra dizer palavras bonitas e alisar nossa cabeça : "Ah, mas logo vai passar. Você é maior que isso!". De uma maneira meio louca alimentamos o nosso ego, fantasiamos nossa auto-estima, mas esse paliativo apenas anestesia nossas mágoas. Continuaremos a errar sempre, na mesma coisa...Muitas vezes temos todo um script já em mente. Sabemos o que vamos fazer, o que vamos dizer, o que vamos ouvir, o quanto vamos chorar e sabemos, inclusive, a quem recorrer. Somos os vilões de nossa própria vida e assim nos destruímos. Mas não, a culpa é sempre de alguém! Somos palhaços de um circo inusitado e contamos piadas tristes com a cara lavada e a alma arrasada. Enquanto houver uma plateia, sentimos a necessidade de atuar, de estarmos ali na frente de tudo, no palco, com um microfone...Alguns riem, outros franzem a testa, e ainda têm aqueles que choram de rir, mas que ainda o choram. São raros os que se emocionam e por compaixão enxergam uma criança que sonha, que tem vontades... E alguns cabelos brancos. E nessa vida alicíclica em que tudo se repete e cheira mal, a indiferença é o que nos mantém tão insensíveis.
E ainda ouvir perguntarem :"Por que choras, palhaço?"... Talvez por ter um coração e a vã consciência sem ciência de que amar vai além de "abanar o rabo, lamber e dar a pata".
E enquanto houver plateia seremos sempre idiotas, digo, palhaços dessa vida sem-graça e descolorida.
E enquanto houver plateia seremos sempre idiotas, digo, palhaços dessa vida sem-graça e descolorida.
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