segunda-feira, 22 de junho de 2009

Confusões de Narciso - I


Me chamo Narciso Aahbran De Souza . Meu avô por parte de pai era da Tessália, região montanhosa no norte da Grécia. Veio para o Brasil aos dezoito anos devido a uma "imperdível" promessa de emprego em uma indústria de São Paulo, que não lembro o nome agora. Só sei que não deve existir mais. Foi aqui que ele conheceu a minha avó, típica paulistana do interior. Meu pai, o senhor Lucas Aahbran, é dono de um pequeno supermercado no Rio de Janeiro, onde nasci. É um profundo admirador da cultura grega. Acreditava inclusive que deuses, nomes, datas, tudo isso tinha um significado no desenrolar da vida de uma pessoa. Daí eu ter sido batizado de Narciso. Devo advertir-lhes do lapso do papai. De "auto-admirador", só o nome. Devo dizer-lhes também que sou auto-destrutivo, tenho uma baixa auto-estima e vivo em depressão constante, vitalícia, que seja. A timidez é algo que também me persegue. Tenho vinte e três anos e ainda não sei me relacionar bem com as mulheres. Posso dizer seguramente que até os dezessete também não tinha amigos, mas a faculdade me fez superar o pânico de semi-conhecidos, porém isso foi só com os garotos. Tenho uma dificuldade enorme de desenvolver uma conversa agradável e interessante com uma garota. Não sei o que me ocorre no momento em que estou só com alguma. Eu literalmente tremo, o suor escorre pelas mãos e logo aquele silêncio mortal toma conta do ambiente. Hora e outra sempre aparece alguma interessada por mim, mas minha incrível capacidade repusilva de mandá-las embora, ainda que tacitamente, sempre se encarrega de seu ofício. E como o faz bem! Eu até tento não demonstrar, ser natural, mas não adianta... Mês passado, comecei a me interessar por uma colega de trabalho, lá na empresa. Sequer a conhecia. Era a recepcionista. Aparentava ser uma boa pessoa, simpática, além de muito bonita. Sua maneira sensível de falar a quem a solicitava algo me encantava profundamente. Passei a olhar pra ela, ao que ela, em resposta, passou a me olhar também. Às vezes a gente se encontrava em algum canto da repartição, mas eu nunca tinha sequer coragem de dizer um "oi!". E ficamos nessa troca de olhares por um bom tempo. Até o dia em que ela tomou a atitude que supostamente deveria ser a de um homem: "Ando tão cansada. O trabalho está me matando!". Em menos de cinco minutos já sabia meu nome, idade, endereço...tudo o que alguém supostamente interessado por outro alguém deve saber, isso no pensamento de um tímido. Eu respondia a tudo e rebatia a pergunta, num processo mecânico que me enlouquecia. Minhas mãos pingavam, deve ter percebido. Ela se calou. E aquele silêncio mortal, que deixa qualquer tímido agoniado, pairava no ar. Sinceramente, não via a hora de sair dali, correr para fora, me esconder. Eis que tive a magnífica ideia de perguntar algo. "E então, onde você trabalha?". Ela retaliou com um riso de canto de boca, apertou minha bochecha, a direita, e saiu.
Eu não sabia onde colocar minha cara. Passava por ela cabisbaixo todos os dias. Com tantas coisas pra perguntar, tinha de ser logo aquilo? Put* que par**! E ela ainda estava fardada, com o brasão da empresa na blusa. Semana passada ela já não estava mais lá. Soube que havia passado em um concurso do Banco Do Brasil e pediu demissão. Isso não foi o suficiente pra me fazer esquecer o ocorrido. Sou o mesmo panaca de sempre, com alguns amigos, algumas cervejas no final de semana e nenhuma namorada! Triste Fim De Narciso Aahbran.

2 comentários:

Unknown disse...

que nerd...pior é que conheço alguns assim :P

Unknown disse...

aaa que lindo igorzitoo *-* ..Fê ;*