Do sorriso fez-se a melancolia. Da eterna repulsa, uma alma obscura que vaga à procura de sua felicidade. Ou apenas vagava. Às vezes converso comigo mesmo na solidão, entretanto ninguém me dá a atenção que espero. Às vezes tento agir, mas o medo me impede de ser feliz ou apenas adia o momento de minha infelicidade. Fui ensinado a lutar contra isso. Nunca fui, porém, um bom aluno. Aah, essa minha maldita teimosia! Fez-se, então, o pranto. Refaço-me em essência e a plena consciência de que seria patético se não fosse tão pateta traz à tona a convicção do abandono da esperança. Sou apenas mais um louco cortinado a olhares alheios. Um preguiçoso à espera de algum acontecimento que me faça movimentar, agir de alguma forma. Talvez eu seja feliz e tamanha felicidade encarcerada em meu ego apenas anseie por liberdade, tal qual um grito seco à procura de submersão em uma poça que é profunda e poluída. Sinceramente não sei. Essas dúvidas me matam. E como a mão do afogado que brada por socorro, imagino o mundo minha própria criação. Faço-lhe espelho de minhas angústias e incertezas sobre o que se é viver. Não, nunca estive alto. Tenho medo da queda. Espero quando anjo poder superar tamanho trauma mundano. Vivo de sonhos e o amanhã nunca parece chegar. Já lancei minhas palavras e emoções num barco sem rumos. Espero ansiosamente pela sua chegada em algum lugar. Notícias de onde andam. Ou tenha talvez o vento as levado ao destino errado e eu não percebi. A cada novo dia certifico-me da fragilidade que invade meu ser, canalha que sou. Somos, já dizia um amigo. Vinícius que me desculpe, mas nada se é infinito quando nele não se acredita. Eu acredito. E o que me põe mais triste é a maneira das pessoas negligenciarem o coração. Perdoe-me, Camões, mas...eu sinto. E dói muito, queima-me a alma. Trago comigo cicatrizes marcadas em carne viva. Parasitas injetam o veneno do amor em minhas veias. Em sua posição privilegiada, somente a Lua parece ouvir meus questionamentos, minhas lamentações. No escuro da noite, ela ilumina as minhas idéias, que estão em constante mudança. Dá-me forças para tentar mais uma vez, embora muitas vezes pareça se esconder, cansada de minha mecânica e repetitiva vida. Castelos de areia destruídos por ondas de lágrimas e sofrimento cada vez mais agressivas. Tenho em mim o pecado de ser um medieval no mundo moderno. De não buscar o convencional, e sim o incondicional. Vejo promessas de eternidade ruírem em meses e tudo o que era pra sempre jamais existiu. Lamento muito por coisas boas não serem eternas. Mas penso no amor como uma exceção. O mais belo presente dos deuses. Eterno. E enquanto não nos for confiscado o direito de devanear, quero poder estar em vários lugares. Com ela. Sem ela. Tanto faz. Estou anestesiado. Houve um tempo em que vivia à base de futuros do pretérito. Vinculava as minhas atitudes a um “se” carregado de dúvidas e enigmas complexos. O sentimento do estar me valia mais que o orgulho próprio e a mania de sempre acreditar no que queria acreditar me corroía aos poucos. Não mudei. Sequer mudarei. Continuo o mesmo. Porém, com receio de ser como era antes. Apenas quero conjugar o Verbo no Infinito. Você pode não entender o que acima foi dito. Então sente-se a mesa do desilusionado e tome um gole da verdade antes ocultada pela sua sanidade irracional.
Igor
Igor
Um comentário:
Eita,outro que eu li e não tinha comentado, bom também.
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