quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E se tudo for um sonho?

Acordei. Infelizmente acordei. Revirei, virei de ponta cabeça, de bruços, de lado, sem travesseiro, com travesseiro, mordi travesseiro, contei carneirinho, tomei chá de camomila. É, apelei. Mas nada suficientemente capaz de me trazer de volta o sono. A verdade é que acordei de um daqueles sonhos que dariam ótimo assunto de teatro, de filme, de poesia, com direito a eu-lírico, a ela-lírico e a nós-líricos a aproveitarmos o lirismo das horas do onírico. E todo esse blá blá blá poético de quinta categoria é só pra dizer que são momentos como esses que me fazem desejar um dia de 48 horas. Daí eu poderia dormir 40 delas – aproveitar o sonho, obviamente – e ficar acordado as outras 8 pra resolver algumas pendências estudantis ou dar um pulo na universidade (e sonhar) vez e outra. É que o mundo dos sonhos me pareceu algo tão mágico essa noite que agora eu só quero sonhar e sonhar e viver sonhando. E foi este justamente o resumo do meu dia: sonhar. Entrou hora, saiu hora, e aquilo não me saiu da cabeça um segundo sequer, tamanha a sua magnitude e o seu impacto causado neste pobre cidadão bobo que vos fala. Agora, neste exato momento em que escrevo, já é noite e a hora de dormir se aproxima. No entanto, outros pensamentos me surgem e desmoronam toda essa minha atração pelo onírico. Afinal, de que valem os sonhos se eu tenho toda uma realidade para fazê-los acontecerem? Eu tenho um bom motivo pra acordar.

domingo, 19 de junho de 2011

All everybody needs is love



I keep in a secret also, but at least I want the whole world to know someday ,because there's nothing beautiful like to like someone. And I don't care what they'll think, I don't care what they'll say. All I most want is for she to know that I care and this day is coming. I feel it.

sábado, 4 de junho de 2011

Essa pele morena

É uma pele morena que me excita a retina e que me põe insensato. Que me desconcentra, que me desconcerta, que me tira o sono e que se põe esbelta. É uma pele morena, curvilínea e delgada, que se inventa e me descobre em toda a minha complexidade. É uma pele morena que sorri e me encanta, que aos outros fala e me perde em sua rouquidão suave e magnífica. É uma pele morena que passa, que olha, que finge o contrário e que foge ao contrário, sempre ao meu contrário e que me contraria. Vem, pele morena. Vem ver o sol nascer, vem caminhar comigo. Dê-me a mão. Vem ver o pôr-do-sol, vem sonhar de olhos abertos. Vamos quebrar todos os estereótipos, largar o ofício e viver e morrer de amores. Não é preciso dizer nada, apenas acredite. Sem nenhuma invenção, o nosso amor vai ser assim. Viverei por você e espero que o faça por mim. Deixa eu ser o seu Romeu, o seu Orfeu, o seu Tristão e me sorria aquele sorriso indecifrável. Minha Monalisa, vem ser feliz comigo um dia...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Não somos mais os mesmos

.







(Alguns sinais dizem mais que mil palavras)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ao amigo ausente

“Esse negócio de entender de uma coisa, tem que amar. Quando você ama, isso cria uma capacidade. Você se interessa pela coisa, você começa a olhar”


É, amigo Tom. Sabes bem que se te escrevo é que me encontro em profunda incompreensão de mim mesmo. É que já não mais tenho outro alguém a quem recorrer. Recolho-me a ti, em toda a sapiência de teu silêncio não-verbal. Sinto, antes de tudo, uma dor assim, literária. Essa poesia que esse Amor me cultivou no coração, que me deixa tão fora de sintonia com o mundo material. Mas conta-me, amigo, que posso eu fazer neste momento de perigosa objeção em que me encontro? Estou num abismo em que ou bem pulo e tento voar, ou bem pulo e caio, ou bem me prostro, estático, e deixo que morra em meu peito a incerteza da felicidade. É que tudo é tão incerto, digo. Tudo às vezes me parece tão nada, tão vazio, assim, sem esse Amor. Não de mim, nunca estive tão certo acerca do que quero e desejo, com forças que não sei de onde brotam, mas que pulsam como se a minha existência dependesse muito daquilo. Como se eu me cristalizasse a cada momento de distância e me libertasse toda a vez em que a encontrasse, com muita frequência, por sinal. Mais do que pensas, amigo. Quão prazeroso é me sentir dessa forma, tão adolescente! É um olhar tão profundo que me mata a cada vez que me ponho hipnotizado. Sim, são sinais que confundem também, de corpo inteiro, que me perde em sua pequenez, mas de um caráter que estimo grandioso e genial. E sua especialidade reside em ser tão únicos a ponto de me fazer desistir dos sonhos e viver pra onde e por onde meu Amor me levar. E esse futuro incerto me enlouquece quando tenho a certeza de que acordarei um dia e não mais terei esse meu estímulo maior. Dize-me, então, o que fazer, amigo Tom. E se me vires o amigo Moraes por essas bandas, conta-lhe desse meu Amor visceral, assunto bom de poesia. E que ela me traga mais papel pra que eu me sinta vivo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

amor, Amor

Preciso de silêncio. Já não tenho aqueles momentos de solidão em que estar só é minha melhor companhia. Estou sempre cercado de pessoas a todo o tempo e em todos os lugares. Às vezes preciso de um tempo pra refletir acerca do que vem acontecendo. Dá-me papel e caneta. Preciso escrever-te uma poesia. Mas que me perdoes pela metalinguagem. É que a tua presença, por si só ou em pensamento visível, já encerra poesia. A poesia de teus olhos – a própria personificação do belo – que brilham como o reflexo da Lua cheia nas águas a cada noite em que me perco esperando me encontrar, te encontrar. A poesia de teus lisos cabelos negros que me encantam a cada ida e vinda, quando presos ou ao ar livre. És um verdadeiro convite irrecusável à manifestação de meus sentimentos mais singelos e profundos, implícitos por toda essa timidez miserável que faz de mim um derrotado a cada momento que tento te falar, frustradamente. Eu me suplico coragem, transformo (tento) toda minha fraqueza em força. Lastimo, dissimulo, sou fraco, sou homem. Mas não sou só mais um cara. Havia esquecido como era me sentir assim, tão inválido, tão não meu. E eu nem sei o teu nome. Imagino mil e um deles, buscando algum que te convenha, que te seja característico. Perco meu tempo. Apenas sei que não és Luiza, nem Rafaela, nem Fernanda, nem Mariana. Chamo-te apenas Amor – em meus pensamentos. Não desses amores breves e flexíveis que só existem em tese. Não desses recicláveis e infantis com prazo de validade estipulado. Apresento-me a ti como um alguém errante, como um alguém fora do contexto social e emocional desses tempos de agora. Percebo quando mudas a cor de tuas unhas. Percebo quando arrumas o cabelo de forma diferente ou quando usas algum adorno nele. Percebo quando te sentes mal, como naquele dia em que estiveste pálida, desejando por tudo estar em casa. Acredito que nem tua pessoa mais próxima tenha percebido, mas eu estava lá e Deus sabe o quanto quis te ajudar. Lembras? Percebo, és o meu estímulo de cada dia e não consigo parar de te olhar, ainda que disfarçadamente. Talvez algum dia me sinta à vontade pra te contar e rir acerca dessas coisas. E tu nem sabes o meu nome, acredito. Sei o quanto isso pode soar insanidade a teus ouvidos, mas não tenho outro algo a te oferecer – pelo menos agora – que não seja a sinceridade destas minhas palavras. As palavras desse alguém que é, hoje, tão teu e amanhã, talvez. E acreditar que me conseguiste assim, em tão pouco tempo que “te tenho”. E em perfil, diga-se de passagem, o que já foi suficiente pra me deixar tão poeticamente patético. O amor é mesmo uma companhia – ainda que de longe – e já não sei andar só pelos caminhos porque já não posso andar só. Deixa ele, não mais o escrevas e vem nessa comigo, então. E perdoa-me, por favor, essa minha incapacidade em diferenciar adjuntos e vocativo. Às vezes um copo de modernismo é bem aprazível, porém sou parnaso o suficiente pra não perder a essência de meu romantismo. Não tentes entender esse meu amor, Amor. Tão instantâneo. Ele apenas nasceu de algo que estava adormecido à espera do momento certo para se ser doado, vulcanizado. E eu ainda tenho tanto a te dizer. Senta ao meu lado e ouve comigo essa música. Dá-me aqui outro papel.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Poema de uma rima só

Me matei!
Mais fácil assim é assassinar o português,
Língua de que sou freguês
Tudo só porque não sei javanês
Se o soubesse, abandoná-lo-ia de uma vez.
Um pouco de modernismo pra vocês
Aqui jaz um romântico, ou talvez...

dois ou três.
E por que não seis ?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Confusões de Narciso - I


Me chamo Narciso Aahbran De Souza . Meu avô por parte de pai era da Tessália, região montanhosa no norte da Grécia. Veio para o Brasil aos dezoito anos devido a uma "imperdível" promessa de emprego em uma indústria de São Paulo, que não lembro o nome agora. Só sei que não deve existir mais. Foi aqui que ele conheceu a minha avó, típica paulistana do interior. Meu pai, o senhor Lucas Aahbran, é dono de um pequeno supermercado no Rio de Janeiro, onde nasci. É um profundo admirador da cultura grega. Acreditava inclusive que deuses, nomes, datas, tudo isso tinha um significado no desenrolar da vida de uma pessoa. Daí eu ter sido batizado de Narciso. Devo advertir-lhes do lapso do papai. De "auto-admirador", só o nome. Devo dizer-lhes também que sou auto-destrutivo, tenho uma baixa auto-estima e vivo em depressão constante, vitalícia, que seja. A timidez é algo que também me persegue. Tenho vinte e três anos e ainda não sei me relacionar bem com as mulheres. Posso dizer seguramente que até os dezessete também não tinha amigos, mas a faculdade me fez superar o pânico de semi-conhecidos, porém isso foi só com os garotos. Tenho uma dificuldade enorme de desenvolver uma conversa agradável e interessante com uma garota. Não sei o que me ocorre no momento em que estou só com alguma. Eu literalmente tremo, o suor escorre pelas mãos e logo aquele silêncio mortal toma conta do ambiente. Hora e outra sempre aparece alguma interessada por mim, mas minha incrível capacidade repusilva de mandá-las embora, ainda que tacitamente, sempre se encarrega de seu ofício. E como o faz bem! Eu até tento não demonstrar, ser natural, mas não adianta... Mês passado, comecei a me interessar por uma colega de trabalho, lá na empresa. Sequer a conhecia. Era a recepcionista. Aparentava ser uma boa pessoa, simpática, além de muito bonita. Sua maneira sensível de falar a quem a solicitava algo me encantava profundamente. Passei a olhar pra ela, ao que ela, em resposta, passou a me olhar também. Às vezes a gente se encontrava em algum canto da repartição, mas eu nunca tinha sequer coragem de dizer um "oi!". E ficamos nessa troca de olhares por um bom tempo. Até o dia em que ela tomou a atitude que supostamente deveria ser a de um homem: "Ando tão cansada. O trabalho está me matando!". Em menos de cinco minutos já sabia meu nome, idade, endereço...tudo o que alguém supostamente interessado por outro alguém deve saber, isso no pensamento de um tímido. Eu respondia a tudo e rebatia a pergunta, num processo mecânico que me enlouquecia. Minhas mãos pingavam, deve ter percebido. Ela se calou. E aquele silêncio mortal, que deixa qualquer tímido agoniado, pairava no ar. Sinceramente, não via a hora de sair dali, correr para fora, me esconder. Eis que tive a magnífica ideia de perguntar algo. "E então, onde você trabalha?". Ela retaliou com um riso de canto de boca, apertou minha bochecha, a direita, e saiu.
Eu não sabia onde colocar minha cara. Passava por ela cabisbaixo todos os dias. Com tantas coisas pra perguntar, tinha de ser logo aquilo? Put* que par**! E ela ainda estava fardada, com o brasão da empresa na blusa. Semana passada ela já não estava mais lá. Soube que havia passado em um concurso do Banco Do Brasil e pediu demissão. Isso não foi o suficiente pra me fazer esquecer o ocorrido. Sou o mesmo panaca de sempre, com alguns amigos, algumas cervejas no final de semana e nenhuma namorada! Triste Fim De Narciso Aahbran.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vamos fazer um filme ?


Existe um recurso muito utilizado em alguns filmes que consiste em relativa paralisação da cena atual e cumina em um retorno ao passado para posterior apresentação de fatos que outrora ocorreram.
Por vezes imagino como seria se tal efeito fosse utilizado em vida real. Seria interessante ter o "poder" de tentar reparar um possível erro ou otimizar um suposto triunfo. Quantas palavras seriam mudadas, quantas rotas seriam evitadas, quantas companhias haveriam de ter sido cortadas no momento de um "oi, qual o seu nome?"!
"Você não pode brincar de Deus!"; já dizia o pai do Evan, de Efeito Borboleta, que se baseia em uma teoria que supõe que o curso natural das coisas pode naturalmente ser influenciado pelo simples batimento das asas de uma borboleta. É a teoria do caos, nome preferido pelos físicos. Quem nunca parou para pensar que os caixas nos supermercados só travam quando estamos na fila ? Ou que a fila só pára quando estamos atrasados ? Ou quem nunca questionou o fato de nada na vida dar certo ?( com o perdão do exagero) Há até quem questione a existência de vida. Seria legal voltar ao passado com a consciência do futuro. Às vezes conhecemos pessoas que as julgamos únicas e não nos damos conta de outras pessoas que estão a nossa volta e que também podem ser únicas. Damos atenção a quem supostamente merece e não damos ou pouco damos a quem pouco conhecemos, por simples capricho do momento. "Se eu estou bem, não importa o futuro." Desconhecemos a hipótese de um dia o momento acabar. E muitas vezes isso é mais rápido do que se espera. As pessoas, outrora importantes, desaparecem, enquanto as outras, supostamente menos importantes, são as que mais aparecem e ainda dizem: "no semestre que vem, vou procurar ser mais presente." É feliz e triste. Feliz por saber que os erros foram reparados e , hoje, quem supostamente merecia menos é quem mais merecia. Triste por admitir que erramos ao subestimar a capacidade das pessoas de irem embora.
Quão complicada seria essa vida se tudo fosse como a gente queria. Não se pode brincar de Deus. Mas se pode fazer de tudo, de aprazível ou de desconfortante, um interessante filme. Ou dois filmes. Cômico, trama, terror. Não importam o nível de aceitação e as críticas. Nossa plateia seremos apenas eu e vocês...

...e viveremos em câmera lenta o grito da liberdade ao cinema parado no tempo.

sábado, 11 de abril de 2009

Enquanto houver plateia...



Não confio em pessoas felizes e que se explicam muito. Essas, por si só, são as de menor pureza e sinceridade e que têm sempre algo a esconder. Certo dia, uma amiga disse-me que somos idiotas quando erramos. Não que isso seja algo intrínseco à natureza humana, mas às vezes o somos por saber que teremos sempre alguém conosco pra dizer palavras bonitas e alisar nossa cabeça : "Ah, mas logo vai passar. Você é maior que isso!". De uma maneira meio louca alimentamos o nosso ego, fantasiamos nossa auto-estima, mas esse paliativo apenas anestesia nossas mágoas. Continuaremos a errar sempre, na mesma coisa...Muitas vezes temos todo um script já em mente. Sabemos o que vamos fazer, o que vamos dizer, o que vamos ouvir, o quanto vamos chorar e sabemos, inclusive, a quem recorrer. Somos os vilões de nossa própria vida e assim nos destruímos. Mas não, a culpa é sempre de alguém! Somos palhaços de um circo inusitado e contamos piadas tristes com a cara lavada e a alma arrasada. Enquanto houver uma plateia, sentimos a necessidade de atuar, de estarmos ali na frente de tudo, no palco, com um microfone...Alguns riem, outros franzem a testa, e ainda têm aqueles que choram de rir, mas que ainda o choram. São raros os que se emocionam e por compaixão enxergam uma criança que sonha, que tem vontades... E alguns cabelos brancos. E nessa vida alicíclica em que tudo se repete e cheira mal, a indiferença é o que nos mantém tão insensíveis.

E ainda ouvir perguntarem :"Por que choras, palhaço?"... Talvez por ter um coração e a vã consciência sem ciência de que amar vai além de "abanar o rabo, lamber e dar a pata".
E enquanto houver plateia seremos sempre idiotas, digo, palhaços dessa vida sem-graça e descolorida.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

"I am worse at what I do best"



Passei a noite inteira procurando algo pra escrever. Algo que realmente valesse a pena, depois de tanto tempo de reclusão. Não quero mais esse ultra-romantismo comedido que de uns tempos pra cá tem me perseguido exaustivamente. A realidade das coisas cada vez mais me desperta a atenção para o mundo e me certifica de minha sina pela busca dos inconscientes inconstantes. Porra de contos de fadas! Nada disso tem um fundamentalismo concreto, um motivo que explique a veracidade ou o motivo dos acontecimentos. Cansei dessa vida de ápices de extrema felicidade que a cada momento mudam! A alegria era sempre tristeza que me enganava.Tenho um enorme desgosto de tudo. E não tenho mais paciência sequer pra sentar e ler uma página de qualquer romance sentimentalóide.
É tudo muito escuro aqui e ao mesmo tempo uma luz que brilha em uma janela bem distante prova que não sou o único entediado e sem sono. E meu enorme ego diminui um pouco. Pode ser que estejam a trabalhar ou a terminar algum trabalho da faculdade no computador ou a ver filme ou a fazer milhares de coisas, que seja. E eu aqui, a lastimar a pobre e velha juventude perdida. Mas o que ainda me serve de estímulo pra continuar é que, apesar de tudo, apesar de minha condição eterna de incapaz, o mundo ainda segue por si só, e as casas comerciais nunca fecham, e as pessoas andam todos os dias para lá e para cá, e vão para seus trabalhos, e voltam para suas casas, e às vezes choram, e às vezes estão felizes, e no final das contas muita coisa não muda. O ato de derramar uma lágrima por qualquer motivo é o sentimento mais abrangente de todos. Se se está feliz, se chora. Se se está triste, se chora. E se se morre de amor, também se chora. As lágrimas sempre estiveram comigo e meu coração de bom moço sempre foi o meu túmulo. Vou comemorar e dançar até a exaustão de um mundo em colapso.

E no final das contas muita coisa não muda. Inclusive eu, que continuo, como sempre, passível a esperar no banquinho, ou não. Half man I should be. Ah, e porta-voz também.

sábado, 11 de outubro de 2008

Libertação

E se o amor é cego, comprar-me-ei uma bengala.

Que bengala! Que nada!
Soltarei a mão dele quando estiver a ajudá-lo a atravessar a rua.

Se alguém pode morrer por amor, pode ser salvo pelo ódio.

quinta-feira, 31 de julho de 2008


Amanhã não mais haverá poesia. Proibir-me-ão o sorriso e as lágrimas. A carcereira roubou-me Pessoa. Apresentou-me Linhares e uns complexos que secretavam. Queria eu poder fazê-lo. Despacharia logo o coração pra uma galáxia distante. Reduzido à vala comum dos desvalidos, esquálido. Assim me sinto. Tenho um desmesurado ego que não cabe nesta cela. Perco o dia a sensacionalizar sua figura. Ganhei a noite e algumas olheiras. Espero que receba a carta que te envio desta vez. Das oito outras, só obtive resposta em uma. Ainda guardo a que me escrevera com tanto carinho. Palavras bonitas, letras em vermelho. Leio toda noite antes de deitar. É o que me tem motivado a viver. Tenho estado num estágio sócio-psicótico de loucura avançada. Por mais que eu tente coexistir de forma aprazível, tudo é algo que me consome. Era penoso acreditar que o "i" desenhado naquele coração não era o meu. Alguns me criticam por ser tão introspectivo. Talvez eu não seja intelectual o suficiente pra filosofar, citar Platão, Aristóteles, debater acerca do martírio de Tiradentes ou escrever um drama tão lastimoso quanto o de Heathcliff e Catherine. Mas é que já me falta siso. Fruto de uma geração auto-intitulada pós-modernista líquida, sou auto-destrutivo. É importante acostumar-se a conviver com pungências alheias. Só quero que entenda que sou apenas eu. Minha prisão foi proposital, tenho tentado fugir. Nada acontece em especial. Tudo, tudo me é previsível. Castelos e castelos. Espero um dia construí-los à base de tijolos, assim...compacto. Talvez um dia eu acabe esse monólogo. Tenho de vender minha bengala. Quero uma córnea, preciso de um transplante. Tudo o que agora me resta é sentar e esperar a hora de tocar minha harpa ao lado de São Pedro. Mas não se esqueça da bomba. Da bomba de sangue no meu peito. E nunca se esqueça de quanto a amo. Deixe o futuro pra nós. Caso eu sobreviva esse presente de coadjuvante.

domingo, 27 de julho de 2008

Frívolo

Com o que nessa vida vou eu me importar
Se nem um beco tenho pra olhar?

Ao menos ainda ouço o eco das paredes.

domingo, 16 de março de 2008

Tristezas de sábados à tarde


Falou suavemente. Suas mãos frígidas e delgadas deslizaram sobre as minhas, quentes e suadas. Fruto da adrenalina que me havia tomado o controle emocional. Estava abalado psicologicamente. No fundo imaginava que aquele adeus seria apenas o primeiro. Temia que fosse o último. No entanto disse-me que a esperasse, que precisava ir, que ainda voltava, que tinha adorado ter me conhecido. Esvaiu-se mundo afora. Frágil como sou, havia me apaixonado à primeira vista por alguém que sequer sabia o nome. Era sábado e como em todos os sábados à tarde, desde a frustrante partida de mamãe, estava sentado no banco da praia a contemplar a beleza de um mar que me encantava profundamente. Ela apareceu pela primeira vez. Sua pele morena e seus lisos e longos cabelos pretos não me despertaram interesse a princípio. Fingi não ter percebido a presença inesperada. E, cortando a solidão que me agradava, sentou-se a me fazer companhia. Ofereceu-me uma bala de morango que trazia em uma pequena bolsa. Olhei-a nos olhos. Disse que não, agradeci. Era linda. Fiquei hipnotizado por alguns instantes. Ela puxava assunto em um verdadeiro misto de amizade e amor que me contagiava aos poucos. Falava da beleza do dia. Eu não ouvia nada que não fosse tão somente o suave barulho das ondas a beijar as pedras da calçada. Sua voz era como o mais belo canto de uma sereia, que me despertava os sentimentos mais profundos. Eu já a amava. Voltei a mim mesmo. Pouco conversamos. Foi quando ela disse que tinha de ir. Adeus. Na sua ausência, uma súbita dor tomou conta de meu peito e nada tive a fazer senão permanecer no banquinho. Saudade? Não sei, mas fora a única a me dar atenção. Ninguém jamais havia parado a me falar. Serei eternamente grato por isso. Enquanto a tristeza violentamente me perfurava o coração, eu vi o nascer do sol por sete vezes. Precisava de um banho, trocar de roupa. A barba crescida e um estômago que berrava de fome. E ela ainda não havia voltado. Sete dias se somaram. Mas ali fiquei no mesmo lugar e dali não sairia. Não queria voltar pra casa e esquecer mais um dia feliz em minha vida, que já me são tão raros. Jurei a mim mesmo fidelidade ao sentimento. Sete dias, sete longos dias que não foram em vão. Na espera infinita, imaginava uma doce maneira de dizê-la tudo o que sentia. Louco que sou, romântico convicto e incurável . “Aqui estou, acordado do coma. Não cheguei a cavalo como esperavas e tão pouco tenho nos cabelos o dourado dos raios matutinos que beijam a tua face. Meu olhar não é azul como o mar que espelha a imensidão do sentimento que te dedico. Guardo-o comigo como lembrança de algo que é tão inocente e puro, na esperança de um dia perder o medo, de sepultá-lo com a mesma flecha que fui flechado. A mesma flecha que rasga meu coração e faz sentir a dor da tua ausência. Hoje sinto que tudo é apenas uma questão de tempo. Minha mente viaja, nada do que dizem me parece importante. Meu ego apenas me transporta para tua presença, ainda que imaginada, mas tão real e intensa. Tentando encontrar uma maneira inesquecível de dizer-te tudo o que me atormenta. Tudo que me leva o sono e o cansaço e me faz aqui permanecer. Sei que se dormisse, sonharia. Acordado, pensaria. Não lembro. Jamais esqueço. Tudo o que acima foi dito, cada palavra, é apenas um pedaço do meu coração que guardei pra você.” Ela não veio. Estava fatigado. Meu corpo, em pedaços. Assim como meu eu-lírico, frustrado. Eis que no oitavo dia, momento em que já me preparava para ir embora, ela apareceu. Acompanhada. Suas mãos delgadas que outrora se entrelaçaram às minhas estavam agora em volta dele, abraçando-o. Irmão? Pai? Pensei. Ela me viu. Beijou-me a bochecha. Amigo de um dia. Apresentou-me ao sujeito. Namorado. Faziam naquele sábado três anos de relacionamento. Sorri uma lágrima. Cumprimentei o casal, que ficou horas a namoricar no banquinho, em minha presença. E mais uma vez ela se foi. A lembrança de sua mão acenando um adeus deixou-me a certeza de que esse sim seria o último. Mais uma desilusão amorosa. Era hora de ir pra casa. Recomeçar. Imaginar que o passado não passa de páginas desbotadas no cômico livro da vida. Levantei. Pernas fracas. Peguei o guarda-chuva e segui meu rumo protegendo-me da ira dos deuses que choravam minha tristeza.


Igor

A digestão mal-feita de Sergipe

Do sorriso fez-se a melancolia. Da eterna repulsa, uma alma obscura que vaga à procura de sua felicidade. Ou apenas vagava. Às vezes converso comigo mesmo na solidão, entretanto ninguém me dá a atenção que espero. Às vezes tento agir, mas o medo me impede de ser feliz ou apenas adia o momento de minha infelicidade. Fui ensinado a lutar contra isso. Nunca fui, porém, um bom aluno. Aah, essa minha maldita teimosia! Fez-se, então, o pranto. Refaço-me em essência e a plena consciência de que seria patético se não fosse tão pateta traz à tona a convicção do abandono da esperança. Sou apenas mais um louco cortinado a olhares alheios. Um preguiçoso à espera de algum acontecimento que me faça movimentar, agir de alguma forma. Talvez eu seja feliz e tamanha felicidade encarcerada em meu ego apenas anseie por liberdade, tal qual um grito seco à procura de submersão em uma poça que é profunda e poluída. Sinceramente não sei. Essas dúvidas me matam. E como a mão do afogado que brada por socorro, imagino o mundo minha própria criação. Faço-lhe espelho de minhas angústias e incertezas sobre o que se é viver. Não, nunca estive alto. Tenho medo da queda. Espero quando anjo poder superar tamanho trauma mundano. Vivo de sonhos e o amanhã nunca parece chegar. Já lancei minhas palavras e emoções num barco sem rumos. Espero ansiosamente pela sua chegada em algum lugar. Notícias de onde andam. Ou tenha talvez o vento as levado ao destino errado e eu não percebi. A cada novo dia certifico-me da fragilidade que invade meu ser, canalha que sou. Somos, já dizia um amigo. Vinícius que me desculpe, mas nada se é infinito quando nele não se acredita. Eu acredito. E o que me põe mais triste é a maneira das pessoas negligenciarem o coração. Perdoe-me, Camões, mas...eu sinto. E dói muito, queima-me a alma. Trago comigo cicatrizes marcadas em carne viva. Parasitas injetam o veneno do amor em minhas veias. Em sua posição privilegiada, somente a Lua parece ouvir meus questionamentos, minhas lamentações. No escuro da noite, ela ilumina as minhas idéias, que estão em constante mudança. Dá-me forças para tentar mais uma vez, embora muitas vezes pareça se esconder, cansada de minha mecânica e repetitiva vida. Castelos de areia destruídos por ondas de lágrimas e sofrimento cada vez mais agressivas. Tenho em mim o pecado de ser um medieval no mundo moderno. De não buscar o convencional, e sim o incondicional. Vejo promessas de eternidade ruírem em meses e tudo o que era pra sempre jamais existiu. Lamento muito por coisas boas não serem eternas. Mas penso no amor como uma exceção. O mais belo presente dos deuses. Eterno. E enquanto não nos for confiscado o direito de devanear, quero poder estar em vários lugares. Com ela. Sem ela. Tanto faz. Estou anestesiado. Houve um tempo em que vivia à base de futuros do pretérito. Vinculava as minhas atitudes a um “se” carregado de dúvidas e enigmas complexos. O sentimento do estar me valia mais que o orgulho próprio e a mania de sempre acreditar no que queria acreditar me corroía aos poucos. Não mudei. Sequer mudarei. Continuo o mesmo. Porém, com receio de ser como era antes. Apenas quero conjugar o Verbo no Infinito. Você pode não entender o que acima foi dito. Então sente-se a mesa do desilusionado e tome um gole da verdade antes ocultada pela sua sanidade irracional.
Igor

Primeira ilusão.

Acordei cedo na esperança de um dia bom. Bastaram apenas algumas horas, no entanto, para perceber que não o seria. No trabalho, nada de muito excepcional - alguns risos dissimulados e outras tantas palavras jogadas fora como embalagens recicláveis. Recicláveis! E amanhã será o mesmo, e no dia seguinte... e no dia seguinte. A vida segue nesse turnover eterno no mundo em que não sei que vivo. Esperei pelo metrô na estação. Era mais cedo que o previsto, muito tarde para arrependimentos. Arrependo-me por me arrepender disso. Joguei fora o papel, mas fiquei com o pensamento carregado de angústias e um sentimento que lentamente me corroía o âmago. Estava sozinho naquele momento. Presenciei a ira dos deuses a balançar galhos e a inundar rios de sangue. Eles penetraram minha rotina como num filme melodramático. Por um instante senti-me tão abençoado como se nada me pudesse atormentar. Fingi-me, porém, cego e surdo e pus o coração a frente da divina razão. Parei a pensar sobre o que me havia deixado naquele estado melancólico repulsivo. Não sabia o que queria, apenas queria tudo ao mesmo tempo. O metrô não chegava e aquela espera infinita me deixava cada vez mais deprimido. Olhava o papel no chão. Nada precisava ter acontecido, nada sequer acontecera. Tinha tudo para estar feliz, mas acontece que estava triste. Tomei o metrô. Deixei na estação tudo o que lembrava o passado obscuro e a vontade de persistir. Levei comigo apenas a carcaça oca do meu corpo ferido a borbulhar ácido pelos poros. Minha mente vazia imaginava tudo o que eu não queria imaginar. Poderia ser diferente, entretanto apenas escolho as portas erradas. Momentos eternos me duram segundos. Oh, divina Afrodite, já não mais sinto sua presença a iluminar meu caminho. Veleje oceano abaixo e siga a rota do arco-íris. Mantenha sua espuma enfeitiçada distante de mim e alimentai apenas os insaciáveis pelo beijo da vaidade. Já não mais tenho vocação para cárcere. A espera por seu presente inesperado esgotou-me o ego. Onde está o anjo que me prometeste? Estou cansado. Maltratado. Abusado. O maior dos pesadelos obtenho sonhando acordado. Acordo e durmo na escuridão. Roubaram-me as cores do mundo. Por que escrevo? Escrevemos? Talvez na esperança de sepultar a realidade tão fundo onde ninguém possa encontrá-la. Ou encontrá-la. Ilusões? Nada além disso. Nessa natureza onde nada se perde, nada ganho...ou não ganho aquilo que espero.
Igor

sábado, 15 de março de 2008

Nada como um belíssimo texto do imortal poetinha do Brasil para iniciar o blog:


Os acrobatas


Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse física dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.

Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão

Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!

Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!

Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.

Como no espasmo.

E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus
Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.
E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.


Vinícius de Moraes